A importância da diversidade nas lideranças

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Miriam Haag é diretora da Drees & Sommer do Brasil.

Desde criança, sempre lutei pelo equilíbrio: no pátio do colégio, na minha equipe de vôlei, entre meus amigos, e hoje particularmente estou tentando tratar de forma mais justa e equilibrada os nossos clientes, colegas, equipes e fornecedores. Nunca favoreci nem um nem outro grupo, então como é que no ano passado iniciei, dentro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK São Paulo), o grupo das “Mulheres Executivas” que pelo próprio nome é excludente e monótono?

Não é tanto assim! Somos mulheres de todas as idades, de diferentes origens e etnias com formações e experiências diferentes, trabalhando em diversos setores e funções distintas, mas o que nos une é o nível de senioridade nas nossas empresas: chegamos todas ao nível Executivo. E por que destacar isso?

Mulheres podem vestir calças, podem votar, abrir uma conta no banco sozinhas, se formar nas universidades, criar as suas próprias empresas e, mesmo assim, a quantidade delas em posições executivas em relação ao número de trabalhadoras está distante do equilíbrio que eu sempre gostei de procurar. Vemos nossa ascensão aos altos níveis do poder ainda como algo especial que não representa a média. Por que será?

Perdemos muitas amigas pelo caminho devido à dificuldade de conciliar a vida profissional com a vida familiar. Ainda temos uma divisão de responsabilidades dentro da maioria das famílias brasileiras, que identifica a mulher como a principal pessoa que se dedica ao cuidado dos filhos. Mas felizmente, a cada dia, aparecem mais modelos de vida alternativos para mães, pais, filhos e empresas poderem seguir uma relação bem-sucedida em todos os sentidos: licenças compartilhadas, pais que atuam como “donos de casa”, empresas com creches ou salas de trabalho específicas a serem utilizadas com crianças, além de horários e locais de trabalho mais flexíveis.

Apesar dessas mudanças visíveis, um fator invisível segue em paralelo: a confiança. Em nós mesmas, nas nossas capacidades, na força que temos para unir nossa vida profissional com a familiar e nos homens que também são capazes de cuidar dos nossos filhos. A falta de confiança dos familiares e amigos, de que mesmo com um trabalho exigente não vamos abandoná-los. A falta de confiança das empresas de que as mulheres não irão se aproveitar dos seus diretos, de que não vão negligenciar suas obrigações profissionais, de que o rendimento não será medido por horas de trabalho, mas por um “Return of Investment” sustentável, e que um ambiente de diversidade vai trazer comprovadamente o sucesso. E também a falta de confiança no Legislativo para equiparar as leis aos novos modelos de vida.

Neste sentido, uma das diretrizes do grupo das “Mulheres Executivas” é valorizar a existência da diversidade nas lideranças, como elemento fomentador de resultados positivos para as corporações. Por outro lado, também incentivamos o intercâmbio de experiências entre executivas com cargos de liderança, o que serve, por exemplo, como plataforma para distribuir estratégias sobre como se posicionar em empresas de setores técnicos, tradicional e predominantemente masculinas. Para ativamente promover essa integração de mulheres nos cargos de liderança, estamos iniciando um programa de Mentoring para funcionárias de empresas associadas em cargos de gerenciamento médio ou júnior.

Mas tudo isso não será nem justo, nem equilibrado sem os homens! Assim como a ONU (Organização das Nações Unidas) está promovendo o movimento “He For She”, gostaríamos de convidar os homens aos nossos eventos abertos sobre temas diversos – “Diversidade & Inclusão” ou “Capitalismo Consciente” – para ouvirmos e discutirmos em conjunto sobre os novos caminhos de colaboração e convivência, rumo a uma sociedade diversificada.

Foto: Divulgação Drees & Sommer 

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